Uma história inacabada 2
 

Por Rodrigo Munari e Nicoly Sachser

Camilo, era um guri querido.
Tinha 10 anos, cabelos cacheados, pernas finas e falava pouco.
Sua cabeça era cheia de ideias, muitas delas.
Ele era uma pessoa inteligente, mas precisava de concentração e um certo esforço para
se comunicar. Alguns dos seus colegas não o entendiam, mas respeitavam o seu jeito.
Ele era bem sério, quando alguém em tom de brincadeira dizia algo que era pura imaginação, ele não achava muita graça.
Olívia sabia disso, era uma amiga de verdade.
Tinha 10 anos, cabelos compridos e cacheados, pernas grossas e falava muito.
Às vezes, na escola, era ela quem traduzia para os colegas as coisas que Camilo não conseguia expressar direito.
Um dia ele contou para ela, que a cabeça dele era tipo um armário, cheio de coisas meio bagunçadas e, de vez em quando, era um pouco demorado para encontrar a coisa desejada naquela pequena desorganização. Por isso ele se balançava repetidamente, o
movimento contínuo o ajudava a encontrar a coisa dentro da sua cabeça.
Tu sabes o que é TEA – Transtorno do Espectro Autista – ?
A Olívia e o Camilo sabiam bem, ela por ser amiga de uma pessoa com TEA, e ele, por ser uma pessoa com TEA.
Tem uma porção de gente que ainda não sabe: algumas pessoas com autismo tem uma audição mais sensível a sons e barulhos.
Digo isso porque naquela tarde, eles precisaram ser muito espertos.

A aula de música, mais especificamente de piano se iniciava. Assim que o professor chegou, pediu para que se formassem duplas, Olívia prontamente se juntou com Camilo.

Com o passar do tempo e das notas, Olívia e seu professor perceberam na forma que Camilo se conectava com o som do instrumento. Ele executava as notas e transbordava emoções e sentimentos, era quase palpável a felicidade e entrega do menino nas melodias da canção.

O sorriso no rosto de Olívia estava estampado e suas esperanças haviam se renovado, rapidamente uma ideia brilhante surgiu em sua cabeça.

Ela tinha conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista, fazia pesquisas e leituras para entender seu melhor amigo. Sabia que a doença tinha origens genéticas, neurológicas ou ambientais. Também conhecia os sinais que a doença apresentava, como por exemplo, evitar o contato visual, permanecer não verbal ou ter atraso na linguagem, repetição de palavras e frases, interesses restritos, comportamentos repetitivos, reações incomuns, luta na compreensão dos sentimentos de outras pessoas… Mas nunca tinha pensado que a música teria tanta capacidade e importância para Camilo e para os outros portadores do TEA.

A aula chegara ao fim, Camilo logo contou sua experiência e sentimento de bem estar para Olívia, e a garota teve certeza de sua ideia.

Assim que chegou em casa, entrou em suas redes sociais e criou uma página para compartilhar o momento especial com o TEA de Camilo e a música, em pouco tempo o menino e a menina tinham alcançado uma vasta rede de seguidores e portadores.

O tratamento ´´Camilo musicoterapia´´ foi anos depois comprovado por neurocientistas e musicistas.

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