Uma história inacabada 2
 

Por Rodrigo Munari e Juliane Rodrigues da Silva


Camilo, era um guri querido.
Tinha 10 anos, cabelos cacheados, pernas finas e falava pouco.
Sua cabeça era cheia de ideias, muitas delas.
Ele era uma pessoa inteligente, mas precisava de concentração e um certo esforço para
se comunicar. Alguns dos seus colegas não o entendiam, mas respeitavam o seu jeito.
Ele era bem sério, quando alguém em tom de brincadeira dizia algo que era pura imaginação, ele não achava muita graça.
Olívia sabia disso, era uma amiga de verdade.
Tinha 10 anos, cabelos compridos e cacheados, pernas grossas e falava muito.
Às vezes, na escola, era ela quem traduzia para os colegas as coisas que Camilo não conseguia expressar direito.
Um dia ele contou para ela, que a cabeça dele era tipo um armário, cheio de coisas meio bagunçadas e, de vez em quando, era um pouco demorado para encontrar a coisa desejada naquela pequena desorganização. Por isso ele se balançava repetidamente, o
movimento contínuo o ajudava a encontrar a coisa dentro da sua cabeça.
Tu sabes o que é TEA – Transtorno do Espectro Autista – ?
A Olívia e o Camilo sabiam bem, ela por ser amiga de uma pessoa com TEA, e ele, por ser uma pessoa com TEA.
Tem uma porção de gente que ainda não sabe: algumas pessoas com autismo tem uma audição mais sensível a sons e barulhos.
Digo isso porque naquela tarde, eles precisaram ser muito espertos.

 

Naquele dia estava ocorrendo uma obra ao lado da escola de Camilo e Olívia, e isto
estava incomodando muito o menino.

Na sala o barulho não era tão sentido, mas debaixo da árvore que Camilo e Olívia tanto gostavam de ficar sim, pois a única coisa que dividia a escola daquela obra barulhenta, era um muro.

Camilo estava se sentindo muito desconfortável durante aqueles dias de obra, então Olívia sua grande amiga começou a pensar em um jeito de ajudar seu querido amigo portador de TEA.

Então, no outro dia ela foi até a obra e perguntou aos pedreiros como era a sensação de estar ouvindo esses grandes e intensos barulhos. Todos a ignoraram, exceto João, ele comentou então com Olívia que eles só conseguiam fazer o serviço deles, graças a protetores de ouvido,que impediam que esses fortes sons fossem tão sentidos.

O pedreiro, então questionou Olívia por qual motivo ela estava fazendo essas perguntas e por qual razão veio até a obra. Então Olívia contou ao pedreiro João sobre o seu amigo Camilo, sobre como estava sendo difícil para ele suportar aqueles terríveis sons durante o recreio e sobre o Transtorno do Espectro Autista.

João então comentou com Olívia que sabia como era difícil, pois também tinha um filho com TEA.

A menina então pediu se João poderia a ajudar, então ele fez uma gentil doação de um protetor de ouvido, que não estava sendo usado por nenhum pedreiro da obra.

Olívia agradeceu a João e foi para casa.

No outro dia, Olívia falou a Camilo que havia achado uma solução para o problema do amigo e que no recreio a mostraria.

Quando bateu o sinal, os dois foram para debaixo da árvore, e Olívia então o presenteou com o protetor de ouvido.

Camilo agradeceu com um forte abraço e complementou que Olívia era a melhor amiga que alguém poderia ter.

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